A maioria dos anúncios de médicos é reprovada por atribuir uma característica pessoal ao usuário, prometer resultado quantificado, mostrar corpo como comparação ou citar marca de medicamento. A norma do conselho e a política da plataforma são sistemas separados, mas quase sempre convergem no mesmo veto.
Norma do conselho e política da plataforma são sistemas independentes
A Resolução CFM 2.336/2023 rege a publicidade médica no Brasil e proíbe promessa de resultado, uso de imagem antes e depois com finalidade promocional, sensacionalismo e autopromoção. A política de anúncios do Meta veta atributo pessoal, promessa exagerada, conteúdo médico sensacionalista e uso de imagem corporal como isca. Os dois sistemas nasceram em contextos diferentes, mas na prática, um anúncio que viola a resolução do CFM quase sempre é reprovado no Meta — e vice-versa.
O aprendizado: reescrever para atender a plataforma quase sempre resolve também o problema com o conselho. Não é preciso escolher entre ético e eficaz.
Os quatro gatilhos que derrubam
1. Atributo pessoal presumido
"Você que está acima do peso"; "para você que sofre com queda de cabelo"; "sabemos que você não consegue emagrecer". A plataforma classifica isso como atributo pessoal presumido — assumir uma característica sensível sobre o usuário sem que ele tenha declarado. Reprovação quase certa.
Reescrita: falar do tema, não do sujeito. "O tratamento de obesidade avançou muito nos últimos anos" atende. "Você que é obeso" não atende.
2. Promessa quantificada de resultado
"Perca 10 kg em 3 meses", "reduza a fome em 80%", "elimine a celulite em 4 sessões". Números associados a resultado disparam reprovação. E não são apenas números — verbos como "elimine", "acabe com" e "cure" têm o mesmo efeito.
Reescrita: descrever o método, não o resultado. "Protocolo integrado de obesidade" atende. "Perca 15 kg garantido" não atende.
3. Imagem corporal como isca
Antes e depois, corpo em close, cintura, glúteos, papada. Foto de paciente, mesmo com consentimento, com finalidade promocional é vedada pelo CFM e pela plataforma. Mesmo imagem de banco, quando isola região corporal em contexto promocional, é reprovada.
Reescrita: imagem de consultório, de profissional, de material educativo, de infográfico. O anúncio pode ser visualmente atrativo sem mostrar corpo.
4. Marca de medicamento controlado
Citar Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Saxenda ou qualquer marca de medicamento tarjado no criativo é reprovação imediata na maioria das categorias, e violação de norma sanitária. Anvisa e CFM proíbem a menção de marca de medicamento em publicidade dirigida ao consumidor final.
Reescrita: falar da classe terapêutica ou do problema clínico. "Tratamento moderno para obesidade" atende. "Tratamento com Ozempic" não atende.
